Entrevista para o blog Esporte de AaZ - 28.05.2009 - www.esportesdeaaz.com.br/
Maio é um mês muito importante para os fãs da Indy, pois é neste mês que é realizada uma das provas mais tradicionais do mundo do automobilismo: as 500 milhas de Indianápolis. E na Indy Lights não é diferente tanto que o calendário reserva praticamente todo o mês para a prova, com testes, e classificação sendo realizados durante este período.
Infelizmente a representante brasileira Bia Figueiredo não conseguiu completar a prova, sofrendo um acidente na 17ª volta das 40 previstas. Felizmente, nada de grave ocorreu com a piloto que teve de levar alguns pontos e foi liberada logo em seguida e esta semana já estará em ação novamente.
Conseguimos um folga na corrida agenda da piloto neste mês para realizar uma entrevista sobre a sua carreira e sobre o que esperar do futuro.
Esportes de A a Z: Do que mais sente falta no Brasil?
Bia: Sinto falta da minha família e dos amigos. Fora isso, sinto muita falta da comida brasileira e também das praias. Como tive que voltar para os Estados Unidos no comecinho de janeiro, não consegui aproveitar o verão brasileiro, e levei um choque térmico ao chegar em Indianápolis e enfrentar um frio de 20 graus negativos.
EAZ – No site da sua Torcida você diz que gosta de jogar Age of Empires, costuma passar muito tempo no computador?
Bia: Não mais. Aliás, não tenho tido tempo de jogar mais nada. Adoro jogos de estratégia. Hoje em dia gasto o meu tempo no computador falando com os meus mentores, o André Ribeiro e o Augusto Cesário, e com Robert Clarke, que é meu empresário, junto com eles; respondendo e-mails, trabalhando e falando com minha família e amigos.
EAZ – O que mais gosta de fazer na internet?
Bia: Gosto de ler notícias. Tento sempre ler as notícias do Brasil e também daqui dos EUA.
EAZ – Neste mesmo site indica que o seu livro preferido é A Arte da Guerra, e neste livro um dos ensinamentos é conhecer a si mesmo, como é este exercício de auto-conhecimento, sendo jovem e com tanta responsabilidade?
Bia: Acho que o automobilismo é uma escola dura, mas que te prepara para tudo na vida. O livro a Arte da Guerra te ensina a conhecer a si mesmo e como enfrentar as dificuldades ou inimigos da melhor maneira possível. Não vou dizer que foi o livro mais divertido que li, mas me ensinou muitas coisas.
EAZ – Na etapa de Portugal da A1GP você testou o carro no dia reservado aos pilotos novatos e acabou sofrendo um acidente que, segundo você mesma, foi um dos piores da sua carreira. Sair de um acidente e sentir a segurança do carro te dá mais tranquilidade ou te faz pensar ainda mais antes de arriscar?
Bia: Me dá muito mais segurança. Tinha certeza que ia quebrar meu pé quando vi que iria bater. Quando saí do carro, e vi que o bico do carro só havia quebrado na ponta, fiquei impressionada. O que doeu mesmo foi meu nariz que bateu no capacete.
EAZ – Como é correr numa semana pela Indy Lights e na outra testar um carro da A1GP?
Bia: O mês de abril foi uma experiência nova para mim: passei todos os fins de semana correndo. Foi uma correria que eu adorei. Não tive problemas em andar em carros diferentes, logo que voltei para o Indy Lights já me senti em casa.
EAZ – Desde a primeira temporada da A1GP o Brasil não consegue ser competitivo, é uma possibilidade te ver com mais freqüência nesta categoria?
Bia: O time brasileiro teve alguns anos regulares, mas o time que encontrei esse ano estava bem mais evoluído do que o de 2007, quando andei na China. Acredito que, no ano que vem, se eles mantiverem a equipe como está, o Brasil tem grandes chances de brigar pelo título. Sobre voltar a andar na A1 GP, se houver oportunidade, decidirei junto com o André Ribeiro, o Augusto Cesário e o Robert Clarke, que são os gestores da minha carreira.
EAZ – Na Indy, além dos engenheiros e mecânicos você ainda pode trocar algumas informações com o seu companheiro de equipe. Na A1GP não existe esse outro piloto, como funciona essa troca de informações?
Bia: Na verdade você consegue trocar informações com um país que correr pela mesma equipe que a sua. No caso do Brasil, que corre com a Super Nova, temos como companheiros de equipe a Nova Zelândia, Líbano e Índia.
EAZ – Voltando para a Indy Lights, você chegou a sentir algum problema em ser mulher, os pilotos dificultam mais quando veem que é você quem está tentando a ultrapassagem?
Bia: Falo sempre que no Brasil o preconceito foi muito maior. Aqui nos EUA, os pilotos estão acostumados a correr contra mulheres, e por isso eles não ligam muito.
EAZ – Na Indy existem muitos ovais onde um pequeno erro ou leve toque pode te jogar no muro, como foi para se acostumar com esse tipo de corrida?
Bia: Foi duro no começo mas tive um excelente professor, o André Ribeiro, que já correu e venceu em vários ovais e também a minha equipe, a Sam Schmidt Motorsports. Depois que me acostumei, comecei a amar os ovais.
EAZ – Nos Estados Unidos existe uma paixão pelos circuitos ovais e todas as categorias atraem sempre um grande público seja na Nascar ou na Indy. Como é o seu contato com os fãs?
Bia: É ótimo. Os americanos adoram ver mulheres correndo, com isso vejo muitos entusiastas. E também porque eles adoram os pilotos brasileiros.
EAZ – Você tem algum tipo de contato com a Danica Patrick? Caso possua, como é esse contato entre mulheres num ambiente dominado por homens?
Bia: A Danica é uma superstar na Indy e é superdifícil ter contato com ela, mas sempre nos cumprimentamos. A piloto com quem mais falo é a Pippa Man, que corre na Firestone Indy Lights comigo.
EAZ – A Danica além do sucesso nas pistas consegue uma grande exposição com campanhas de publicidade explorando a própria beleza, é um caminho que você pode seguir?
Bia: Acho fantástica a habilidade que ela tem de ganhar fãs com as campanhas publicitárias, e ainda traz fãs para a Indy. No meu caso, se surgir oportunidade, decidirei junto com os gestores da minha carreira.
EAZ – Você pretende estar no ano que vem na categoria principal, como é o seu relacionamento com os pilotos brasileiros desta categoria?
Bia: Meu objetivo é estar na IndyCar em 2010. Tenho um ótimo relacionamento com todos os pilotos brasileiros da Indy. Às vezes, é difícil ficar batendo papo, pois somos todos superocupados, mas todos são nota 10 comigo.
EAZ – Você foi a primeira mulher a subir no pódio na Indy Lights, a primeira a terminar entre os 5 no grande templo de Indianápolis e a primeira a vencer. Caso a Danica continue na categoria que tal formar ao lado dela o primeiro pódio com maioria feminina ano que vem na Indy?
Bia: Acho que seria fantástico e espero que eu esteja no lugar mais alto do pódio!



