Entrevista para o Autoracing por Adauto Silva
Beatriz Figueiredo
Nome: Beatriz Figueiredo
Natural: São Paulo
Nascimento: 18/03/1985
Pessoal, nosso papo de hoje é com essa gatinha ao lado, que é uma fera no Kart!! Bia Figueiredo, que tem apenas 16 anos nos contou como foi seu início no kartismo nacional, também falou sobre o seu atual momento, onde ela deixa muito "marmanjo" comendo poeira!
Ela foi muito simpática nessa entrevista, não escondeu nada e falou até sobre namoros...
Divirtar-se!
Pergunta: Antes de mais nada queríamos te dar os parabéns pela sua atuação no Campeonato Brasileiro. Foi show!!!
Resposta: Obrigada!!
P: Quando você começou? Quando começou seu interesse por Kart ou por corridas?
R: Não me lembro....Desde pequena me interesso por corridas. Não perdia uma corrida de F1. Eu gostava de carrinhos .....Todo o tipo de carrinhos...
P: Você tem irmão?
R: Uma irmã mais velha que eu.
P: Ela também gosta de corridas?
R: Não.
P: Teu pai gosta de corridas?
R: Gosta mas não é apaixonado....
P: Então não foi por causa dele que você começou a gostar?
R: Não.
P: Então é uma coisa sua mesmo?
R: Isso aí.
P: E você começou a ver F1 quando?
R: Acho que quando eu tinha uns 4 ou 5 anos.
P: Você pegou a época do Senna?
R: É....o final.
P: E quem é teu ídolo?
R: Atualmente?
P: Quem foi teu maior ídolo e se é ainda?
R: O maior foi o Senna e continua sendo ele.
P: Mas hoje quem você considera o melhor?
R: O melhor piloto é o Schumacher agora.
P: Há quantos anos você participa de campeonatos de kart?
R: Oito anos.
P: O ano que vem você vai mudar de categoria?
R: Vou continuar na Graduados A, mas acho que será meu último ano de kart.
P: E você tem intenção de seguir carreira?
R: Tenho.
P: E você tem preferência por alguma categoria?
R: Tenho pela F1.
P: Então depois que você sair do Kart, você vai fazer alguma coisa aqui e depois ir para a Europa?
R: Isso aí.
P: E na CART ?
R: Não é que eu não queira, já que eu gosto de correr em qualquer lugar, mas eu tenho preferência por F1, porque gosto de corridas em pista mista. Minha preferência é pela F1 mas a CART também é bem legal.
P: Hoje em dia qual é seu maior adversário em pista? É o Serginho Jimenez?
R: São vários. O Serginho também é mas tenho um rival em cada coisa, então são mais de um. Os meus rivais são todos os pilotos que estão sempre na frente.
P: E como é ser mulher num meio só de homens? Você sente algum tipo de preconceito? Te tratam diferente por você ser mulher?
R: Não porque tenho muitos amigos na categoria. Dentro da pista é muito raro acontecer de alguém te bater. Eu tento levar as coisas muito na esportiva, como se fosse um acidente de corrida, mesmo sabendo que às vezes foi na maldade, mas é muito raro acontecer isso.
P: Mas você acha que pode ser maldade por você ser mulher ou porque existe maldade entre os pilotos?
R: Existe maldade com todo mundo, mas comigo um pouquinho mais.
P: Na tua equipe, é só você ou tem mais pilotos?
R: Tem mais 3 ou 4 pilotos, além de mim.
P: Você sente algum tipo de diferença no tratamento?
R: Não, nada.
P: Você está faz tempo com esta equipe?
R: Há uns dois anos.
P: O que aconteceu no brasileiro? Você fez a pole e o que aconteceu na corrida, na primeira corrida?
R: Na primeira corrida o Serginho conseguiu largar na minha frente e acabou tomando a ponta na largada. Eu estava em baixo dele e o Renato David decidiu me passar do nada e aí me atrapalhei, porque eu estava meio concentrada no Jimenez e eu acabei perdendo a posição. Aí eu tentei dar um X no Renato só que não era a hora certa e acabei pegando terra, e com isso caí lá para trás. Fui fazendo uma corrida de recuperação e acabei em 8º lugar.
P: Na segunda corrida você também teve problemas, né?
R: Na outra corrida eu larguei em 8º e fiquei quase a corrida toda atrás do Rafael Daniel, mas não consegui passa-lo porque tinha muito barro. O Marcelinho (Marcello Thomaz) nos passou mas em seguida quebrou e aí acabei ficando em 3º lugar.
P: E na terceira corrida?
R: Na terceira corrida eu tava em 3º quando o Serginho e o Rafael Daniel começaram a brigar, bem na largada e bater roda. Eu joguei o kart para o lado esquerdo da pista e o Serginho na hora de frear, como estava muito perto do Rafael Daniel, ele freou reto e ocupou a pista inteira para frear...
P: Ele esparramou?
R: É. Ele esparramou e como eu estava muito perto dele, ele acertou minha roda direita dianteira....Aí saí para a grama e voltei em 20º lugar. Vim fazendo uma corrida de recuperação de novo e cheguei em 5º lugar no final da corrida.
P: A recuperação que você teve nas corridas foi algo espetacular....
R: Foi mesmo.
P: Quando você fez a pole nós achamos que você fosse ganhar! Nós estávamos torcendo muito para você! Mas você deu bastante azar, né?
R: Tive mesmo....Na primeira corrida considero um erro meu, eu me precipitei, mas depois foi azar mesmo.
P: Automobilismo tem muito isso mesmo....Vai ter uma segunda etapa do brasileiro?
R: Vai. Eles dividem as categorias e fazem 2 campeonatos brasileiros. Neste campeonato eu participei pela Graduados A., mas neste próximo vou participar pela categoria Sudan.
P: Vai ser na Bahia?
R: Isso aí, em Salvador.
P: Mas este é outro brasileiro ou é sul-americano?
R: A Sudan é uma categoria internacional, mas acho que só haverão pilotos brasileiros.
P: Os internautas do site gostam muito de kart, e alguns gostariam de começar a correr de kart. Como é que um esquema profissional como o seu, para poder competir? Quanto mais ou menos gasta?
R: No começo da carreira, quando eu era cadete, eu gastava R$ 5.000,00 por corrida. A cadete é a categoria mais barata. Mas eu não era conhecida. Hoje em dia, na Graduados A eu gasto bem menos porque eu ganho muita coisa, mas para um cara começar a correr, aqui em São Paulo, vai gastar mais ou menos R$ 5.000,00 por corrida.
P: Para poder ter um Kart competitivo?
R: Isso mesmo.
P: É caro, né?
R: Carinho.
P: Quantas corridas tem o campeonato paulista?
R: São 11 corridas.
P: Gasta mais ou menos R$ 55.000,00 por campeonato?
R: No brasileiro gasta-se mais. Mais ou menos R$ 10.000,00 por corrida, dependendo do lugar. Na Bahia vou gastar muito mais que R$ 10.000,00 por corrida. Tem que levar todo mundo de avião para lá, kart e tudo mais. Os hotéis lá são mais caros.....
P: Então para correr em São Paulo, gasta-se R$ 5.000,00 só de equipamento?
R: Equipamento, mecânicos, provador de motor, etc....
P: Quantos anos você tem?
R: 16 anos.
P: E como é a sua vida? Você tem uma vida normal de adolescente, você sai a noite, você namora? Fala um pouco sobre você.
R: Nas férias é tranqüilo. Ontem saí com uns amigos e dá para levar uma vida normal. Em época de aula fica um pouco difícil, porque eu fico meio estressada com os compromissos da escola, já que estou no 2º colegial e tenho que estudar muito porque é difícil.
P: Em que colégio você estuda?
R: No Rio Branco.
P: E como você faz em época de aula, porque tem corrida no final de semana, mas tem treino na sexta-feira. Você falta na escola?
R: Não eu não costumo faltar. Só falto quando eu tenho mesmo que treinar, mas não gosto.
P: Bom, ano que vem você vai ficar no Kart e depois você pretende parar. Para qual categoria você quer ir logo que você sair do Kart?
R: Eu não tenho a menor idéia, ainda. Tem muita coisa. Ano que vem tem aquela Fórmula Renault e nós vamos ver o que vai acontecer.
P: E se fosse hoje?
R: Se fosse hoje ou a Fórmula Renault lá fora ou a F3 Sul-americana.
P: Tipo o que o Nelsinho Piquet está fazendo?
R: Ele vai direto para a A, e eu começaria na B.
P: Você já correu com ele?
R: Várias vezes.
P: E como foi?
R: Aqui em São Paulo, geralmente eu levava vantagem sobre ele. No brasileiro ele entrava com tudo. O equipamento dele era muito legal, ele treinava muito, então ele levava vantagem. Mas nós tínhamos o mesmo nível. Ele anda bem e era um piloto de ponta também.
P: E conta uma coisa: Você está namorando?
R: Não.
P: Mas já namorou, né?
R: Já.
P: Perguntei porque o pessoal fala muito de você!!!
R: risos....
P: Tem alguma outra menina que esteja em alguma categoria inferior ou que esteja despontando? Você é a única?
R: Não. Agora correndo tem a Carla Sanches que é brasileira mas naturalizada uruguaia.
P: E ela anda bem?
R: Ela precisa aprender muito ainda. No Uruguai ela compete com 4 ou 5 pilotos, então ela anda na frente. Aqui é muito mais competitivo....então ela se perde. Mas ela não anda mal.
P: O Kart aqui no Brasil está entre os melhores do mundo, né?
R: Segundo eu sei, na América do Sul é o melhor.
P: Mas em relação à Europa, você acha que nós devemos muito?
R: Um pouco, porque lá o piloto é mais completo. Lá é um mecânico para cada piloto, e aqui são 4 mecânicos para cada piloto.
P: Então essa é a principal diferença?
R: Eu acho. Lá eles não dão moleza para o piloto. Você tem que ir lá e carburar e aprender.
P: O regulamento deles diz isso?
R: Com certeza não. É uma coisa deles.
P: Então lá o piloto tem que conhecer o Kart de ponta a ponta?
R: De ponta a ponta. No mundial, eu cheguei no caminhão e o cara me falou para eu montar meu Kart. Eu sei mais ou menos como monta. Mas aí eu comecei a aprender mesmo, tipo esta peça é daqui aquela é dali, e tal....aprendi muita coisa lá, porque de vez em quando o cara aparecia lá para dar uma ajuda.
P: Isso foi no último mundial?
R: No último. Em Portugal.
P: Como você foi?
R: Muito bem. Eu estava na categoria Marechal, quase todo o dia eu era a mais rápida da barraca.
P: Quantos pilotos tinham na barraca?
R: Uns 5 pilotos. Eram as minhas primeiras corridas internacionais, e eu estava um pouco perdida. Na 1º bateria eu larguei em vigésimo alguma coisa, e todo mundo me falou que eu fui bem. Lá são só 3 voltas para a classificação....
P: Só 3 voltas?
R: É. Dá a 1º, na 2º só quem vem bem e na 3º é a volta.
P: E o pneu já está bom na 3º volta?
R: Já porque o pneu lá é mais mole e esquenta rapidinho.
P: Com que equipamento você participou?
R: Participei com Tony Kart, Vortex....
P: Então você estava bem de equipamento?
R: Estava bem.
P: E dos pilotos que você viu correndo lá no mundial, teve algum que te impressionou?
R: Todos os pilotos que estavam na frente. É incrível o que eles fazem com o kart.! Tinham 5 na frente que andavam muito bem. O que me impressionou foi o Hamilton, o inglês.
P: Você correu contra o Streit?
R: Corri no mundial.
P: E como é que foi você e ele?
R: Ele era o primeiro piloto da equipe, então toda a atenção era para ele, porque ele já tinha corrido em outro mundial, já tinha corrido no europeu. Ele era muito rápido, largou bem, mas na última bateria, eu não sei o que aconteceu que ele largou mal e foi para 5º e aí acho que ele fechou demais a agulha e acabou travando o motor. Ele estava muito rápido!
P: Você já teve alguma experiência com carro, já andou de carro alguma vez na pista?
R: Andei naquele Fórmula Chevrolet de 80, bem velho na escolinha em Interlagos.
P: Gostou?
R: Foi muito legal.
P: Bem mais lento que o Kart, né?
R: Bem mais lento. Eu me apavorei um pouquinho com as marchas. Eu entrava nas curvas bem forte, com o giro muito alto e o giro ficava rodando, aí eu dava risada...risos...Aí vinha o cara, me pegava e eu fazia tudo de novo.
P: Teu pai te acompanha em todas as corridas? Como é que é?
R: Meu avô gosta de me levar. Ele gosta de ir ver e às vezes eu vou com o motorista. Meu pai aparece de vez em quando no treino, mas ele não fica em cima. As minhas coisas eu resolvo sozinha. Só falo para ele do que eu preciso.
P: Você é bem independente, né?
R: É. Ele me deixou lá e eu fui aprendendo. Então eu só passo as contas para ele e ele paga.
P: Você tem algum patrocinador que te acompanha há algum tempo, alguém que você acha que vai até te acompanhar mais para frente? Como é que rola este negócio de patrocínio?
R: No Kart é meio complicado para arranjar patrocínio pelo que eu vejo. O pessoal que anda lá na frente tem uma despesa muito pesada, como é o caso do Átila Abreu, Allan Helmeister e o Jimenez, que é muito bom também.
P: Tirando você quem é o melhor piloto brasileiro no Kart atualmente? Você apontaria alguém ou acha que são alguns?
R: Alguns...O Jimenez é muito bom, mas quem surpreendeu no brasileiro foi o Allan Helmeister. Achei que ele mandou muito bem, muito técnico.
P: Em que lugar você está hoje no campeonato paulista?
R: Na última corrida eu ia aumentar minha pontuação. Estava entre os 5 primeiros, aí um cara errou e eu freei e veio um cara e me pegou em cheio. Daí eu caí lá para trás no campeonato, mas se Deus quiser eu me recupero loguinho.
P: Nós desejamos a você toda a sorte do mundo, eu tenho a maior admiração por você, nós torcemos demais para você e boa sorte na Bahia. Escreve lá no Fórum! Tem muita gente falando de você lá!
R: Obrigada. Vou escrever sim!!
Acelera Meninaaa!!
Adauto Silva foi o responsável por esta entrevista com a piloto Bia Figueiredo!



